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Tapiraí, 28 de abril de 2017 | COMO CHEGAR ATÉ NÓS ATRAVES DE SUA LOCALIZAÇÃO:
Vereadores
DORIVAL TEODORO BENTO - PSB
14ª LEGISLATURA -2017-2020

Presidente Atual
DORIVAL TEODORO BENTO
HELIO DOMINGUES - PSDBHENRI CRISTIAN MARCHEUSKI BEZZECCHI - PSDBHUMBERTO PEREIRA DA SILVA - PTBJAN RICARDI GLASSER - DEM
JOAQUIM DOS REIS DELGADO NETO - PSB
JULIO COLOMBO - PMDBLUCAS LOPES FIGUEIREDO  - PSBTARINI DENISE RICCIARDI SUZUKI  - PSB
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História da Cidade

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ANO DE 1780 - O INÍCIO DE TUDO

 

Situada entre os contra-fortes das serras do Mar e Paranapiacaba, nos limites das regiões de Sorocaba e do Vale do Ribeira Tapiraí foi desmembrada dos municípios de Piedade, Juquiá e São Miguel Arcanjo.

 

Nessas terras a presença indígena é irrelevante tendo noticias de que os Tupis passaram ao longe por não ousarem enfrentar a Serra do Mar e do Paranapiacaba devido ao frio existente o que os espantaram..

 

Os pequenos sinais existentes dessas passagens ficaram gravados nos topónimos existentes Assungui e Juquiá-Mirim talvez quando passaram pelo litoral.

 

Jesuítas por aqui estiveram segundo tradição oral que na serra da Batêia no rio Verde e no ribeirão do Ouro deixaram a sua marca mas nada que possa ser comprovado.

 

1809 - A DOAÇÃO DA SESMARIA

Até l.809 nada de concreto havia acontecido por estas paragens até que nesse ano são distribuídas várias Sesmarias ao longo dos rios Turvo e Sarapuí na direção do litoral.

 

Uma delas foi destinada a João Escudeiro localizada na margem esquerda do Rio Turvo consequentemente na Serra do Paranapiacaba conforme relato do historiador Aluísio de Almeida em seu livro "História de Sorocaba".

 

Essa observação "do lado do mar" é importante porque o Rio Turvo é o divisor atual de Tapiraí com Piedade e isso demostra que as terras de Escudeiro ficavam portanto do atual Distrito do Rio Turvo para a atual sede do município de Tapiraí.

 

NOVEMBRO DE 1857- I NÍCIO DA COLONIZAÇÃO DO TURVO

Sobre o início da colonização da nossa terra, tenho a relatar o que li de Celestino Américo, em suas memórias, e de Antônio Leite Neto, em seu livro "História de Piedade", publicado em 1987 pela Editora Culturesp.

 

Verifiquei que por insistência do Capitão José Francisco da Rosa, vereador e Presidente da Câmara Municipal de Piedade, eleito em janeiro de 1857, foi enviado ao Presidente da Província Paulista alguns pedidos, e entre eles o pedido de abertura de uma estrada que ligasse Ipanema a Juquiá. E o início do obra foi autorizada no mesmo ano.

 

Entusiasmado com o empreendimento, o Capitão se afastou da presidência da Câmara e assumiu pessoalmente a direção dos trabalhos, fazendo seu acampamento nas margens direitas do rio Turvo, com seus escravos e alguns empregados de aluguel. (Isto significa que Tapiraí teve o início de sua colonização no ano de 1857, partindo das margens do rio Turvo).

 

Ao final de novembro, já haviam feito 900 braças (1980 metros) de roçada por 20 metros de largura e 500 braças (1100 metros) da cava da estrada; o que ficou em 4:835$400, ou seja, quase cinco contos de réis.

 

Em dezembro do mesmo ano, o Capitão juntou mais 20 escravos pertencentes ao seu filho, um feitor, perfazendo o total de 100 homens acampados em pleno sertão do Turvo. (Talvez no lugar onde depois foi o armazém do Hiraoka até 1970).

 

Em abril de 1860, o Capitão voltou a reclamar para que o pagamento fosse feito de dois em dois meses, para que pudessem trabalhar continuamente, alegando que já haviam feito 3200 braças (7040 metros) sentido Ipanema, na enxada até o sítio do finado Monteiro. (Acredito ser nas imediações do atual bairro do Miguel Russo).

 

Além do atraso das verbas, nessa ocasião também somou-se o reumatismo que apareceu em seu braço. Então o Capitão resolveu afastar- se dos trabalhos, deixando em seu lugar o seu filho José Francisco da Rosa Júnior.

 

O último ofício pedindo pagamento data de 12 de outubro de 1861, onde ele dizia: "...sentindo a importância da estrada para o sul com abertura de um porto mais próximo que o de Santos, deixei o meu sítio, minha lavoura, com meus escravos e outros trabalhadores que aluguei; enfrentei a frieza e a umidade do sertão estragando a minha saúde...", e em 1863 passa uma procuração para seus filhos, Antônio Claudino da Rosa, Alferes José Francisco da Rosa e José Francisco da Rosa Júnior, para cuidarem de seus serviços.

 

Em l.911Celestino Américo Vereador a Câmara municipal de Piedade pede em Sessão Extraordinária da Câmara o apoio do Governo da Província para a construção de uma linha férrea a tração elétrica partindo do trecho entre Sorocaba e Mairinque até Santo Antônio do Juquiá passando por Piedade pelo rio Turvo e pela Serra do Paranapiacaba até chegar ao Santo Antônio do Juquiá.

 

Essas obras devem ter sido paralisadas logo depois pois só voltamos a encontrar relato sobre ela na 10ª Administração Municipal de Piedade, no mês de agosto de 1921, onde diz estar pronto o primeiro trecho da estrada para Juquiá.

 

1923 - REUNIÃO DOS MUNICÍPIOS COM O GOVERNADOR DA PROVÍNCIA

Em 12 de Outubro de 1.923 Celestino Américo Vereador e Laureano da Silveira Baldy, Prefeito Municipal de Piedade, encaminharam a mesa do Congresso de Estradas de Rodagem o pedido da construção da estrada de Sorocaba ao Santo Antônio do Juquiá através do memorial que a seguir vai transcrito na integra;

 

ESTRADA PIEDADE - JUQUIÁ

No final da 11ª Administração Municipal de Piedade, que foi iniciada em 15 de janeiro de 1923, consta como obra mais importante a conclusão do segundo trecho da estrada.

 

Celestino Américo fala que o traçado da estrada foi esboçado por ele mesmo e que defendeu pessoalmente a sua construção nos Congressos das Estradas de Rodagem de 1919 e 1923.

 

Realmente o maior defensor dessa estrada foi Celestino Américo pois os Jornais da época atestavam isso e de uma Revista publicada pelo Governo da Província em 1.923 e que reproduzimos na íntegra o seu memorial defendendo a estrada de Sorocaba a Santo Antônio do Juquiá e também o parecer favorável das comissões de estrada s do Estado.

 

MEMÓRIA INTRODUÇÃO

Exmo. Snr. Dr. Presidente;

Senhores Congressistas:

 

Animado pela benevolência do nosso 2º Congresso reunido em Campinas, em 1º de outubro de 1919, que me dera a honra excelsa de discutir e aprovar a memória por mim apresentada, volto hoje novamente a fazer parte desta solene conferência, impulsionado pelo mesmo ideal de então, convencido inteiramente das vantagens práticas destes convênios e dominado pelo mais franco e sincero amor à causa que vimos defendendo, tanto quanto vós o tendes dos interesses públicos, em prol dos quaes vindes abnegadamente lutando, para fazer a grandeza e a prosperidade deste nosso querido Estado.

 

Senhores, São Paulo é bem digno da vossa proficiente collaboração. Dos vossos esforços em conjunto resulta a sua posição fidalga entre os demais Estados Federados - sob a fulgurante constellação do Cruzeiro, vista e admirada nos seus mais variados aspectos.

 

Nos 1º e 2º Congressos de Estradas de Rodagem transpareceram já promissoramente o interesse, o ardor, a dedicação e o patriotismo de cada um dos que nelles collaboraram, muito dos quaes ainda vemos agora nesta majestosa Assembléa, trazendo a ela o melhor de sua energia e de sua boa vontade, visando sempre o mesmo escopo. Nessas duas reuniões anteriores, os Prefeitos Municipais, os dignos membros da Directoria de Obras Públicas, Associação Permanente de Estradas de Rodagem, grande número de engenheiros, industriaes e fazendeiros, attendendo a convocação feita pelo Exmo. Snr. Dr. Cândido Motta, então illustrado Secretário da Agricultura, Commércio e Obras Públicas, no patriótico Governo do Exmo. Snr. Dr. Altino Arantes, com elevação de vistas, trataram de estudar pela base o problema das estradas de rodagem em suas múltiplas relações sociais e econômicas, acllamando una-você ser a viação de rodagem um dos melhoramentos que mais de perto actuam sobre a vida diária do povo. Já nessas occasiões foram apresentadas várias memórias e diversos estudos e planos de valor de seus rumos, de sua utilidade, de sua construcção, ligação e conservação. E, creio eu, serem esses ainda os principaes objetivos que nos vão preocupar nesta sessão.

 

Porém, agora, a nossa convicção está definida, não vacillamos mais, porque já podemos apreciar os bellos fructos colhidos daqueles esforços brilhantes que nos relembram os anais dos dois certamens anteriores, não só pelos mappas e relatórios que hoje nos são apresentados, como ainda pela prova irrefragável á luz meridiana, que é o effeito imperativo das magníficas e bem conservadas estradas de rodagem que se irradiam desta Capital, accusando o grande passo, o grande avanço que já fizemos no campo deste nosso idolatrado ideal; justificando sobejamente o nosso empenho em seguirmos para a frente com vontade firme, como nos valorosos bandeirantes, levando por toda parte, das mais prosperas cidades, aos mais longínquos povoados, os benefícios das boas estradas de rodagem.

 

Comtudo, não devemos esquecer de que os nossos congressos rodoviários não teriam fructificado tanto, nem teriam tido uma acção tão decisiva sobre o automobilismo, se não tivesse à frente do Governo de São Paulo estadistas de escol, homens dedicados ao trabalho, cheios de amor ao povo e à República, principalmente nestes últimos tempos. No triênnio anterior, foi o Exmo. Snr. Dr. Cândido Motta que, como Secretário da Agricultura, Commércio e Obras Públicas, iniciou o desenvolvimento mais racional da viação de rodagem no interior. Actualmente é o Exmo. Snr. Dr. Heitor Teixeira Penteado que, na mesma pasta, vai com redobrados esforços seguindo os planos delineados pelo Benemérito Presidente do Estado, Exmo. Sr. Dr. Washington Luís Pereira de Souza, para o renascimento e intensificação desse novo elemento de progresso em nosso paíz, por cujo extraordinário serviço se impoz à estima e à gratidão do povo brasileiro. Sendo Sua Excelência o maior defensor das estradas de rodagem no Brasil, o seu nome será escripto com letras de ouro, na história pátria.

 

Mas sejamos coherentes. Si é verdade que já fizemos muito, parodiando Camões, é preciso accrescentar que - por mais que se faça, muito mais nos resta por fazer; e não nos seria lícito ficarmos estaticamente embevecidos ante a maravilhosa obra que São Paulo apresenta, que sobremodo nos orgulha, e que o extrangeiro admira. Precisamos evoluir, precisamos caminhar para a frente, e caminhar com enthusiasmo, confiantes na vitória, como faziam os guerreiros da Grécia Antiga, por esta vereda civilizadora, até que as nossas estradas de rodagem se estendam ou transponham à peripheria deste vasto território, desde a sua baixada irregular, batida pelos vagalhões do Atlântico, às margens floridentes do caudaloso Paraná, e desde o fecundo e despovoado Valle do Ribeira aos altaneiros picos da Serra da Mantiqueira, unindo num só bloco o sentir paulista, num só amplexo todos os interesses materiais de São Paulo, fazendo de seus filhos uma só família para a sua completa felicidade.

 

Senhores, esta ação poderia ser um sonho pueril, poderia até ser uma utopia extravagante, se em nossas veias não corresse mais o sangue de nossos ancestrais, e se nesse sangue não pullulassem mais os germens reactivos daquelles heróes que no seio da immensa floresta, jamais temeram as intempéries, as serpentes venenosas, as feras e, nem mesmo aos índios cannibaes. Mas, pelo contrário, vemos e sentimos ainda que esse nobre sangue dos impávidos conquistadores dos selvícolas, continua enrubescendo o nosso rosto num colorido tão puro e tão fresco, que nada nos impedirá por tornarmo-nos dignos de suas bellas tradições que os fastos coloniais registram carinhosamente.

 

Não obstante senhores, não é geral por emquanto o empenho de construir estradas; o exemplo quasi épico de nossos maiores não têm sido devidamente comprehendido:; notamos ainda certo retrahimento em muitas circunscrições municipaes, principalmente em nosso Extremo Sul Paulista, onde ellas ainda não deram sinal de vida, em favor deste alevantado desideratum. Há também outras que do 1º e do 2º a este Congresso, nada, ou quasi nada fizeram neste ponto, limitando-se a algumas delas a ligeiros reparos nos caminhos que já existiam.

 

É bem dura esta verdade, e por isso mesmo frizamol-a aqui Corum populo, como uma nota inscícia do harmonioso pensar da maioria.

Afora esta descrença, ou melhor, a este pouco amor ao bem público, temos para embaraçar a abertura dellas em nossa zona, vários obstáculos muito sérios, uns de ordem concreta e outros de ordem moral; e de entre eles destacam-se os três seguintes: - 1º a falta de recursos financeiros das respectivas municipalidades, pois algumas dellas não arrecadam nem o suffciente para satisfazer as suas primordiaes necessidades, em virtude do quasi despovoamento de seus territórios; sendo não raras vezes essa situação aggravada pelas rivalidades políticas que entibiam sempre as mais aproveitáveis iniciativas; - 2ºUm grande um criminoso indifferentismo pela viação de rodagem, desconhecendo muitos a sua acção civilizadora, sem siquer lembrarem-se de que somente ella poderá salvar a pequena lavoura esparsa aqui e ali, sem ordem, sem méthodo, sem cuidado e sem união, e que por isso mesmo aguça a ambição das empresas ferroviárias; alguns contentam-se com as pirogas inventadas em épocas remotíssimas pelos nossos aborígenes para neste século fazer a sua morosa locomoção... Outros julgam-se bem satisfeitos com os chiantes carros de bois de eixos móveis, ou com as tropas de muares arreadas dos tempos primitivos que sobem e descem ziguezagueando sobre as montanhas, fazendo ouvir ao longe o chacoalhar de seus guizos, num accinte grotesco e destoante; - 3º finalmente surge aos nossos olhos a formação geológica de nossa costa que, num rendilhado caprichoso e inerte, difficulta a construcção de estradas; aliás, essa irregularidade do solo paulista é peculiar a todo Brasil marítimo, devido à Cordilheira do Paranapiacaba, base originalíssima de vertentes que dimanam de seus contrafortes e, correndo em sentidos opostos umas de outras, para vencer a grande differença de nível, vão com suas cachoeiras, saltos e corredeiras abrindo profundos e tortuosos vales, ladeando a integridade de sombrias encostas, ante as quaes os nossos atuais sertanejos de póstos mais avançados, sentem-se impotentes para fazer o arroteamento de suas terras, pela certeza que têm de que os productos desse árduo trabalho, isto é, seu milho, o seu arroz, o seu feijão e outros cereaes terão que apodrecer nos seus paióes, sem estradas, portanto sem vehículos para o seu transporte aos mercados consumidores.

 

Tal é, pois a situação dos habitantes dos nossos municípios do Extremo Sul Paulista; elles estão fartos de boas terras, estão fartos de riquezas naturaes, estão fartos de energia e coragem vivendo naquelle quasi isolamento e estão fartos até de paciência; mas em compensação estão faltos de vias de comunicação, estão faltos de auxílios de poderes públicos, estão faltos de instrucção e de serviço sanitário, pelo que estão faltos de conforto e do bem estar que, em conseqüência, ali não podem existir...

 

Seja-nos permitido a recapitulação desta triste verdade. Os habitantes esporádicos destes extensos e futurosos municípios Piedade, Iguape, Xiririca, Cananéia, Una, Pilar e outros sobre a Serra e da ertilíssima bacia do Ribeira, vegetam espasmodicamente, na mais doce esperança de melhores dias que nunca chegam e, assim, de geração em geração, vão se definhando como que asphixiados pela lethargia dominante, mirando desconsolados à magnitude da natureza ambiente, como a anachoreta de outr'ora, num ascetismo inconsciente, aguardando a sua resurreição; mas esse martyrio e essa fé, não passam de contrastes irônicos, embora deslumbrantes, que se desfazem ao menor contato da realidade, e permanecem completamente insulados!...

 

Para que se possa fazer uma idéia dessa situação precária, façamos uma ligeira comparação: - Imaginemos alguns viajantes presos a bordo de um batel sem bússola, sem leme e inteiramente desprovido de água potável e de gêneros alimentícios, e que esse batel ficasse abandonado em alto mar, a muitas milhas da costa. Esses míseros viajantes morreriam fatalmente pela fome e pela sede, nadandoembora nos mais ricos elementos!...

 

Eis o nosso caso. Ali vive um povo pacífico, ordeiro, trabalhador e honesto; ali existem boas terras para as mais variadas culturas; riquezas naturaes sobrepõem-se umas às outras: jazidas de carvão, de pedra, de ferro, de ouro, de chumbo e de outros minéreos; essências florestaes de valor incontestável; quedas de água bastante consideráveis, e tudo isso ali se acha no mais repulsivo esquecimento.

 

- Senhores Congressistas - Sirvam estas linhas preliminares como uma invocação solene dos digníssimos representantes das municipalidades paulistas e demais interessados aqui presentes, para que se dignem reconhecer a nossa mais flagrante necessidade, emprestando a ela o seu nobre espírito de solidariedade, numa causa tão justa, ao mesmo tempo tão grata, porque vem ao encontro de nossos recíprocos interesses, votando a conclusão final desta memória e outras em que se peçam ao Congresso Legislativode São Paulo as verbas precisas para a abertura de estradas de rodagem no nosso extremo sul, principalmente para a rectificação, nivellamento e outras obras de arte de que carece a que vai de Sorocaba a estação Juquiá, no município de Iguape; e por sua vez, sirva também esta invocação de um appelo ao Exmo. Snr. Dr. Washington Luís Pereira de Souza, para que Sua Excelência, auxiliado pelo seu digníssimo Secretário, Exmo. Snr. Dr. Heitor Penteado, num gesto patriótico, antes de findar o seu honroso mandato de Supremo Magistrado de São Paulo, faça dotar aquele nosso Canto Sulino de tão grande, quanto indispensável melhoramento, iniciando ali o desenvolvimento de estradas de rodagem que será o primeiro passo para o seu progresso.

 

PRIMEIRA SEÇÃO

UMA CONSTRUCÇÃO QUE NÃO PO'DE SER ADIADAEm suas linhas geraes, procuramos demonstrar na introducção a importância e a necessidade de um estrada de rodagem ligando o nosso planalto ao nosso littoral sulino. Nisto não trazemos novidade nenhuma, pois que é uma aspiração que vem dos nossos primeiros colonizadores, havendo em nosso município vestígios indeléveis dessas primeiras tentativas; e ainda não muito longe, em 1892, foi aberta uma estrada que começava no bairro do Feital, deste, ia à barranca do rio Assunguy, no município de Iguape, passando pelo Quebra Cangalha, Serra-Negra, Várzea do Rio Verde, Serra do Alegre e outras, com 36 quilômetros, na qual gastaram 16:000$00. Porém essa estrada só serviu para o transporte de uma pequena guarnição, por occasião da revolta de 06 de setembro de 1893, e foi condemnada a desapparecer, não só pela sua morraria, como também pelos lugares alagadiços, entre os outros a Várzea ao Rio Verdecom 6 quilômetros, absolutamente intransitáveis.

 

Mas a falta dessa via tem sido sempre o maior embaraço para o povoamento daquele nosso sertão, e não comprehendemos que essa falta tão grande tenha passado tantos annos sem chamar a attenção dos poderes públicos. Entretanto ella se torna cada vez mais premente, de modo que essa lacuna tem que ser preenchida - mais cedo ou mais tarde. É incrível que pessoas vizinhas moram, por assim dizer, a parede e meia, continuem divorciadas, vivendo como estranhos que de facto o são, pedindo intermediários para a negociação de seus productos mais simples, quando aliás poderiam fazê-la direta commodamente.

 

Exemplifiquemos: - artigos de commércio fabricados em Sorocaba para serem consumidos em Xiririca ou Iguape, ponto médio de distribuição, tem presentemente e forçosamente que percorrer 491 quilômetros, pagando caríssimos fretes e morosas baldeações. De Sorocaba a São Paulo, 111 quilômetros, com baldeação; de São Paulo a Santos, 80 quilômetros, com baldeação; de Santos a Juquiá 161 quilômetros,com transbordo para via fluvial; de Juquiá a Xiririca ou a Iguape 139 quilômetros. Além da demora e das avarias, esses artigos transitam por estações de luxo, São Paulo e Santos, aggravando descommunalmente o seu valor; acontecendo a mesma coisa com o arroz, café, açúcar, aguardente e com todos os productos daquelle lictoral: - um litro de arroz custa em Iguape 300 réis, esse mesmo arroz nas mesmas condições vale em Sorocaba, sendo da mesma procedência, de 900 a 100 réis por litro; um metro de riscado custa 1200 réis em Sorocaba onde é tecido; a mesma fazenda é vendida em qualquer negócio de Juquiá ou Ribeira a 4000, 5000 e 6000 réis o metro. Entretanto a estação de Juquiá fica distante de Sorocaba, somente 125 quilômetros!...

 

Desde 125 quilômetros, 20 são francamente navegáveis por vapores pelo rio Juquiá até a barra do rio Assunguy, ficando a terra firme apenas 105 quilômetros. Ora, de Sorocaba a Piedade, 30 quilômetros, dePiedade à Serraria, 17 quilômetros, ao todo 47 quilômetros já são percorridos por automóveis e caminhões, restando para construir 58 quilômetros. Deste 58, - acham-se em construção no corrente exercício 24, ficando tão somente 24 quilômetros para serem abertos, dos quase 27 em pleno sertão, e o restante pelas margens dos rios Coruja e Assunguy, porém com os estudos feitos para a sua continuação.

 

Como se vê, é inadiável a conclusão desta obra, já porque faltam tão poucos quilômetros, já porque ella será um grande factor de povoamento das grandes bacias do Juquiá- Guassu e Ribeira, porque terá que ser futuramente o tronco forçado estrada convergentes ligando Itanhaém, Xiririca, Jacupiranga, Iguape, Cananéia e outros povoamentos, cujos municípios não são menos ricos do que muitos daqui de serras acima.

 

De resto, ao próprio Governo do Estado, deve interessar bastante essa estrada, sabido como é, que orocaba é uma das mais industriaes cidades do interior, e que Juquiá é também o centro mais importante de correspondências das vias terrestres e fluviais, já com um movimento animador e que brevemente será o nosso maior entreposto do littoral, depois de Santos; deve interessar ao Governo porque as duas vias férreas que servem a esses dois extremos, Sorocaba e Juquiá, são a sua propriedade, sendo também por elle subvencionada alinha de navegação do Ribeira. Portanto, a estrada de rodagem da qual estamos cogitando irá desenvolver vantajosamente a agricultura, a creação, a indústria e o commércio daquella parte de nosso Estado, contribuindo grandemente para valorisação de suas terras, para o augmento das rendas públicas, enfim para erguer ainda mais o já bem alto renome que elle goza entre os demais departamentos da República.

 

SEGUNDA SECÇÃO AS CONDIÇÕES TÉCHINAS DE NOSSO PLANO

 

Antes de transportar os pés do sagrado pórtico que, em tão feliz momento, se abre para receber indistinctamente, como profano, atrevo-me a observar que o levantamento dos traços para estrada de rodagens, não é tão diffícil como a quadratura do círculo, mas, também que não é tão difícil como a descoberta do mel de pau; é um dos ramos da engenharia que exigem conhecimentos especiaes, scientíficos e topographicos, além de viagens dispendiosas, o que ninguém consegue somente com theorias e nem aprende na escola, e o que mais das vezes reclamam o auxílio de pessoas leigas, porém conhecedoras praticamente de certas e determinadas superfícies.

 

Pois bem, é nesta última qualidade que aqui me apresento para reverentemente repor sobre o altar da sciência o pequeno óbolo da minha experiência e das minhas observações e muitos annos, como roprietário de serrarias, como lavrador, como negociante e como investigador de nossas mattas.

 

Eil-o em toda a sua simplicidade:

 

Basta um simples relance de olhos para a carta geodésica de nosso Estado, para verificarmos exactamente a posição geográphica dos municípios de Sorocaba, Piedade e Iguape, que serão atravessados pela nossa projectada estrada. Para ella, o maior obstáculo que a primeira vista parece existir a Serra do Mar; porém esse mole millenário que infunde respeito ao próprio oceano, ao atravessar o nosso município se confunde na orogenia geral, havendo até, entre os rios Turvo e Sarapuhy, montanhas muito mais elevadas, salientando-se entre outras o Alto do Caetezol com cerca de 1100 metros de altitude, sendo o nosso ponto culminante e sobre o qual se desdobra a estrada do Juquiá. Além dessa notável depressão da cordilheira, as bacias de Juquiá e do Ribeira, que são bem amplas, estendem os seusprincipaies affluentes para o norte, offerecendo por esse motivo uma declividade relativamente suave; de entre esses affluentes é o que forma o vale do rio Corujas, tributário à margem esquerda do rio Assunguy, que mais facilidade offerece para a abertura de estradas, porque o seu tronco principal se acha na directriz conveniente e deflue de norte para o sul num percurso approxima do de 36 quilômetros, dos quais fazem 9 pelo Assunguy até a confluência deste no rio Juquiá. A altitude média da Serra do Mar no município de Piedade, não excede a 800 metros sobre o nível do mar. Ora, aceitando como base essa diferença de nível, a sua declividade para o sul, dentro dos 36 kilômetros referidos, fica reduzido a 2,22% porcentagem esta que facilitará a construcção de uma estrada de primeira ordem, por outro lado, a superfície do solo ali se desdobra relativamente favorável em seus contornos.

 

Quanto à primeira parte, isto é, de Sorocaba a Piedade e a Serraria, a estrada já é regular no ponto de ista do seu traçado, precisando unicamente de nivelamento e rctificação para a sua real efficiência.

 

Em vista do exposto, achamos que os 34 quilômetros restantes devem ser feitos com urgência, e energia, a fim de serem abertas o mais breve possível, as communicações directas entre os dois centros commerciaes aludidos, dando assim opportunidade para a intensificação do intercâmbio nesses grandes municípios visinhos.

 

Em abono deste objectivo que ora prende as nossas atttenções, releve-se me lembrar aqui que, à margem direita do rio Juquiá, no lugar chamado "Poço Grande", acha-se a pitoresca e próspera fazenda pastoril do engenheiro Dr. Frederico S. Land, que bem demonstra o seu espírito prático e adiantado, introduzindo reproductores de raça e seleccionando as suas diversas espécies de forragens. Pois bem, o distincto engenheiro que deixou a sua rendosa profissão scientífica para dedicar- se à indústria pastoril e à lavoura desesperançado de obter auxílio dos poderes públicos, tomou a si a louvável iniciativa de abrir por sua conta uma estrada moderna para vehículos de motor à explosão, ligando sua fazenda à estação de Juquiá; estrada essa que servirá também para outras fazendas e para mais de 500 moradores do Juquiá e Assunguy, tentativa como esta, aqui no centro e no Oeste de São Paulo, não chamaria a attenção de ninguém, é uma conseqüência do nosso incessante evoluir; mas naquela região interceptada por numerosos rios navegáveis e coberta ainda na sua quase totalidade por matas virgens, é um grande passo.

 

E a nossa projectada estrada, ora em vagarosa continuação, vai atravessar exactamente essa grande área, que vai ser um novo celleiro ao nosso proletariado. Uma vez concluída ella, por ali transitarão os mais diferentes productos agrícolas, pastoris e industriaes, fazendo-se a sua mais franca, proveitosa e directa permutação: nós lá iremos procurar o gado, o arroz, o assúcar, madeira e outros productos; e osseus moradores, por sua vez, virão se abastecer em Piedade e Sorocaba, de tecidos diversos, chapéus, calçados, ferragens e outros artefactos aqui fabricados ou importados; e isto sem contar com a socialisação de seus costumes, de seus hábitos e de suas famílias, que sobejamente recompensarão quaesquer sacrifícios para que tal fim forem feitos.

 

Além desse lado verdadeiramente prático, real, proveitoso e patriótico, a nossa estrada tornar-se-á também um centro de convergência de touristes, de sportmen, de operadores de films cinematográphicos, de scientistas e curiosos, que para lá seguirão para gozar, desfructar, estudar e explorar os maravilhosos thesouros e as bellezas empolgantes que a natureza patenteia em sua plenitude: extensas várzeas, atravéz das quaes os rios se deslizam caprichosamente, formando poéticas curvas, em que as águas se quebram rebojando; encostas encantadoras, onde se destacam com imponência os troncos seculares dafigueira, do guararema, do araribá, do cedro e de mil outras essências; suas cachoeiras e saltos, cujas águas quebram-se nos rochedos e penedias, como que num fremir ardente, desafiando a sciência para o seu aproveitamento; emfim, a tudo isso se reúnem as silhuetas variegadas das collinas, outeiros e picos das montanhas revestidas do mais esmeraldino lençol dessa vegetação luxuriante, formando um conjunto estupendamente attrahente, um panorama delicioso, enfim, um dos recantos mais bellos do mundo.

 

E toda essa variadíssima e espontânea demonstração natural de nossa terra, não será digna de figurar no quadro majestoso que S. Paulo orgulhosamente antepõe aos olhos de seus visitantes?...

 

Certamente que sim.

 

Accresce mais que, além dessa utilidade preponderante, esta grande rodovia poderá ser também uma estrada estratégica de não pequena importância, por ficar em communicação directa com os principais troncos de viação, tanto no litoral, como no interior, para receber, concentrar ou fazer a destribuição de tropas e materiaies béllicos; ali pelas linhas de Santos a Juquiá e de navegação do Ribeira; e aqui pela Sorocabana que se corresponde directa e indirectamente com o sul do paíz, com a capital e com o oeste do Estado e com a Capital da República, servidos simultaneamente por todas as vias de transporte conhecidas; reunindo mais a circunstância de ficar próximo de Sorocaba à grande jazida de ferro e aço do Ipanema, que mais dia, menos dia, o Governo Federal terá que por em actividade, para preparar a defesa nacional bem conhecemos que o espírito do povo brasileiro, embora saiba reagir, é todo pacifista. Todavia, isso não é motivo bastante plausível para que fiquemos a dormir sésta assim tão despreoccupadamente, como os antigos beduínos em suas tendas. Não desejamos, não queremos a guerra, por conhecêl-a ser a expressão mais torpe, mais horripillante do sentir humano; mas isso de modo algum justifica a nossa gnorância, o nosso descaso pela psychologia preventiva das grandes potências que nas Conferências da Paz e nas reuniões da Liga das Nações, pela voz de seus emissários apregoam ephaticamente a limitação de armamentos, enquanto vão duplicando as suas esquadras e multiplicando seus exércitos e as suas esquadrilhas de avião, dizendo lacônica e sarcasticamente: queremos a paz armada!...

 

Suprema ironia!!...

 

Si assim é, cumpre também a nós brasileiros irmos apparelhando terreno dentro do limite do possível; e no número desses apparelhos ou factores de defesa nacional estão as estradas de rodagem estratégicas. De resto, quando da revolta de 06 de setembro de 1893, já nós tivemos que guarnecer aquella nossa fronteira paulista, temendo por ali a invasão dos revoltosos. Facto este ainda bem recente, que sabemos não só pelas chrônicas da época, como ainda pelo testemunho pessoal de muita gente que ainda vive, inclusive o autor desta memória que também fez parte do movimento defensivo. Donde se vê que não estou luctando contra moinhos de vento, e nem estou figurando hypótheses banaes, sem factos justificativos.

 

Em resumo, pode-se concluir que este último ponto deve interessar muito ao Estado inteiro; convém para o sossego e tranqüillidade do povo paulista; é indispensável para o amparo de suas famílias e para a garantia de seus bens, mormente que sabemos que os portos de Iguape e Cananéia não tem fortificação alguma, e que estão abertos exactamente nas embocaduras de muitos rios e canaes navegáveis que facilitam o accesso a intrujões que, num dado momento nos poderão pôr em sobressaltos. Para que não tenhamos que lamentar a nossa incúria ou a nossa imprevidência, mas à obra.

 

QUARTA SECÇÃO A VIAÇÃO DE RODAGEM EM PIEDADE

 

Tocamos enfim ao ponto mais sensível do nosso objectivo. Por conseguinte, com o beneplácito desta illustre convenção, vamos falar particularmente ao nosso respeito.

 

Senhores Congressistas: - A Câmara Municipal de Piedade, foi uma das primeiras que, em São Paulo, cogitaram do problema do transporte de mercadorias e passageiros por vehículos de tracção mecânica, com o apparecimento dos actuaes propulsores, gzsolina e seus congêneres, tentando a sua ligação com Sorocaba por uma linha de automóveis.

 

Para tal fim e com grande sacrifício de suas rendas, ella mandou reconstruir a estrada existente e fazer uma variante na Serra de São Francisco, extremo dos dois municípios, cuja variante e reconstrução custarão nada menos de 54:036$730, sendo 43:628$000, por conta do Governo do Estado e 10:408$730por conta da municipalidade. E isto ocorreu-se em 1907 quando a sua receita era orçada apenas em 8:000$000. Vê-se que ela fez um sacrifício ingente, gastando muito menos do que arrecadava, para beneficiar o público. Mesmo em 1913, seis annos depois, ainda a sua receita era calculada em 11:500$000.

 

Não obstante o tempo decorrido, essa variante continua ser o melhor trecho da nossa estrada, apesar do mau estado em que se acha.

 

Posto que esses 4 quilômetros fossem bem feitos, com vários cortes em rocha viva, com grandes paredões de arrimo, aterros e boeiros de certa importância precisamos confessar que o restante ficou bem longe do soffrível em suas condições téchnicas: - raio curtíssimo em várias curvas, rampas com porcentagem de até 15% até de mais de alguns pontos; péssimo escoamento das águas pluviaes, sobressahindo o enorme inconveniente de algumas de suas rcstas terem sido traçadas nas rampas mais fortes, resultando disso acanalização das enxurradas pelos sulcos dos carros que inexoravelmente foram destruindo o seu leito e difficultando a sua conservação.

 

Depois deste não previsto contratempo, outros embaraços não menos sérios sobrevieram: - a raridade que havia de chauffeurs habilitados, bem como a de depósito de gazolina e accessórios que, de mais a mais ainda custavam muito dinheiro; por outro lado, os modernos vheículos careciam de vários aperfeiçoamentos, de que mesmo hoje com todo o prodígio do seu mecanismo ainda não estão completamente isentos. E naquella occasião tudo estava no terreno das experiências, por cujos motivos a nossa Câmara pôz de banda essa pretensão embora tivesse já legislado nesse sentido, em que se concedia uma subvenção de 6:000$000 anualmente; e pôz de banda para não comprometer as suas finanças futuras que eram e ainda são exíguas, numa empresa problemática e que fracassaria fatalmente; no que ella ndou muito bem.

 

Em conseqüência a estrada foi entregue ao tráfego público de tropas e vehículos communs, carroções e carros de bois que a inutilizaram quasi que completamente; e nem podia ser de outra forma como se vai ver: por ella além dos que fazem a importação e a exportação de nosso município, vemos diariamente centenares de carroções e carros de bois que transportam cereaes e lenha para o mercado e para as diversas fábricas de Sorocaba e do Votorantim, e também para os grandes fornos de cal do Itupararanga. Devido ao trânsito contínuo de numerosos vehículos de aros metállicos tendo unicamente 3, 4 e 5 centímetros de largura, suportando 1000, 1500 e até 2000 quilos, o seu leito não se manteve normalizado. Em vista do que, um Ford gasta sempre duas horas para ir de Sorocaba a Piedade, e vice-versa, e isto quando os Santos estão de bom humor; em caso contrário, são os demônios que se divertem às custas dospobres passageiros!... E de uma cidade à outra só tem 30 quilômetros; um bom cavalo faz essa marcha em igual tempo. É irrisório.

 

Já na outra estradinha de Piedade à Juquiá, no seu 1º trecho construído, o mesmo Ford vence mais um quilômetro por minuto em viagem regular, apesar de ainda ella não ter permanente conserva; é que por ella não trafegam os malfadados carros de eixo móveis e carroções de aros estreitos. Verdade seja que naquella parte o rolamento estradal está melhor disposto, a sua construcção foi mais conforme ao fim a que se destina como diante se verá.

 

De 1920 pra cá, nossa Câmara vêm se empenhando outra vez pelo magno problema de que ora nós nos occupamos, não só reconsertando as estradas antigas, como abrindo outras. A que vai ao Juquiá é uma das que mais a preocupa e que vai sendo aberta com auxílios do Governo do Estado, para o que muito temcontribuído os bons offícios do nosso operoso representante ao Congresso Legislativo, pelo 4º Distrito, o Exmo. Sr. Dr. Luiz Pereira de Campos Vergueiro, que por essa nobre e patriótica dedicação tornou-se credor de nossa estima e gratidão.

 

Os primeiros 17 quilômetros dessa via, foram feitos com os seguintes detalhes: - raio mínimo de curva 50 metros; largura do leito 5 metros; porcentagem máxima 8%, regularmente abaulado.

 

Em 1922 a Câmara perdeu a verba autorizada para sua continuação naquelle exercício, por ser ella absolutamente insuficiente para construir 20 quilômetros nas mesmas condições do 1º trecho; essa verba era de 18:000$000, dos quaes deviam sair 3:000$000 para duas pontes, reduzindo-se a 750$000 por quilômetro, pelo que era humanamente impossível acceitar o contracto, em vista do elevado preço de mão de obra, de gêneros alimentícios e ferramentas.Comtudo a nossa edilidade vai proseguindo agora nessa constrcução, tendo um novo orçamento mais compatível com a natureza desses trabalhos. Esse 2º trecho deverá ser melhorado em annos posteriores conforme as dotações que foram consignadas para esse fim. Porém, o seu traçado vai sendo já definitivamente locado pelo rumo mais favorável e conveniente, raio mínimo de 50 metros, porcentagem mínima 7%, sendo em geral de 2,3 e 4%, conforme temos verificado na abertura das picadas, e vai seguindo as mesmas linhas dos projetos discutidos e aprovados nos Congressos de Estradas de 1917 e 1919.

 

Entendemos que este emprehendimento não deverá ser interrompido, não só por motivos econômicos, como também para incrementar a riqueza pública e tornar conhecida aquella vasta e esperançosa região, que às portas desta grande capital traz como que escondidos vários afluentes do Juquiá e Ribeira que nãofiguram por enquanto na planta geográfica de São Paulo, tendo alguns deles 4,5 e 6 m³ de água por segundo, como o Juquiá- mirim, Travessão e Corujas.

 

A nossa via em questão, uma vez concluída, poderá ser trafegada em todos os meses do anno, sem interrupção, vista que não ficará sujeita a inundações e nem passar por ligares alagadiços, e ser aberta por terreno consistente, recebendo em seus rolamentos raios solares, garantindo assim a sua conservação.

 

Mas, para a sessão de Piedade a Sorocaba julgamos convincente o alargamento e desdobramento do seu leito, formando duas vias parallelas, uma para tropas e vehiculos comuns, e outra exclusivamente para automóveis e similhantes Feito isto, ficaremos a 20 minutos de Sorocaba e poderemos vir cedo à esta capital tratar de negócios ou a passeio e voltarmos no mesmo dia.

 

Da mesma forma, nos domingos e feriados os commerciantes, industriaes, funcionários públicos e perários poderão ir à Piedade, e mesmo ao Sertão apreciar os segredos da floresta, a sua linda architectura geológica e outros phenômenos da Creação, e não faltarem nos dias immediatos aos seus misteres.

 

De Juquiá a nossa estrada poderá ser prolongada até Itanhaém, passando por Prainha e outras estações. Então teremos um circuito dos mais bellos e interessantes pela variedade de suas paizagens verdadeiramente chromáticas e cheias de lances imprevistos, como é fácil imaginar. O touriste gozará no mesmo dia a brisa dos aprazíveis campos do planalto, as fragrâncias das mattas virgens da Serra, os murmúrios de caudalosos rios, os vagalhões surrantes do mar, o vai e vem de nosso maior empório internacional, que é Santos, e o bulício insurdecente desta grande urbes que nos enche de orgulho, que nos estimula para o trabalho, que é este - extraordinário São Paulo.Senhores Congressistas, para que tudo isto se realize fica dependendo unicamente de uma vara mágica, como a de Moysés, que ferindo o rochedo colossal, que é o erário do Estado, delle faça verter as verbas necessárias; e essa vara vos a tendes, é o vosso patriotismo, a vossa boa vontade, que a posteridade abençoará.

 

QUINTA SECÇÃO

GERAL CONCLUSÃO DA MEMÓRIA

 

Ao lançar o ponto final nesta longa exposição, devo acrescentar que, quer como simples particular, quer como detentor de alguma parcella da administração pública, tendo sido sempre perseverante no propósito de cooperar para o progresso do meu município e do todo o Sul de São Paulo. O meu enthusiasmo por este deal nunca se arrefeceu, pelo contrário vai crescendo à proporção que os annos passam e que geralmente nos deixam proveitosos ensinamentos.

 

Foi um elemento ignoto que me impellira para essa majestosa Convenção Rodoviária, trazendo o meu despretensioso concurso, que não prima, estou certo, pela sua forma litterária, mas que provará a minha boa vontade em ser útil á minha terra, convencido também de, assim procedendo, cumprir um dever de paulista.

 

Todo nós sabemos que o objectivo que ora congrega o nosso pensamento, é uma questão sem questões; uma cidade sem luz eléctrica, sem hygiene, sem estradas, sem automóveis, não é uma cidade digna desse nome, é um ermo.

 

E si hoje a estrada já faz parte do programma de administração dos Governos bem organizados, é porque a sua efficácia está reconhecida no mundo inteiro; e se nos centros populosos e servidos por outras vias de communicação, ella muito contribui para a riqueza e para a commodidade do público, é indubitável que ella avançando para a faixa litorânea de nosso progressivo território, torna- se-à uma avalanca poderosa, transformando radicalmente as suas velhas uzanças, substituindo-as pelo aconchego de novos meios de vida que afugentarão dali a ignorância de nosso quasi desconhecidos lavradores, que eliminarão do seu seio a indolência, a malária e a miséria que fazem funestas companhias aquelles nossos irmãos, collocando em seu lugar a civilização, machuinismos, facilidade de locomoção, confortos, enfim, agentes novos que saberão tirar proveito dos inexgottáveis thesouros que se acham escondidos naquelle colossal thalweg, ingratamente alcunhado por SERTÃO de Iguape, citado, com certo horror, como se elle estivesse no continente africano, ou como se fosse ossaria anti- diluviana!...É demais?!...

 

Senhores, se as idéias emittidas nesta memória forem acolhidas pelo pronunciamento approbativo dos nobres congressistas presentes, dar-me-ei por generosamente pago do esforço dispendido.

 

CELESTINO AMÉRICO

 

Subscrevo em suas linhas a presente memória.

 

São Paulo, 12 de outubro de 1923.

 

LAUREANO DA SILVEIRA BALDY

 

Prefeito Municipal de Piedade "

 

CONCLUSÃO

Consubstanciando o fim desta memória, o Terceiro Congresso Paulista de Estradas de Rodagem, reunidoem São Paulo, no dia 12 de outubro de 1923, reconhece a importância e a necessidade de uma estrada de rodagem, com todos os detalhes téchnicos previstos em lei, ligando Sorocaba a estação da via férrea em Juquiá, passando por Piedade

 

Porque ella ligará duas grandes regiões de costumes, climas e producções differentes;

 

Porque unirá dois centros commerciaes e industriosos relativamente importantes;

 

Porque atravessará uma grande zona ainda completamente despovoada;

 

Porque ela será um tronco para as futuras ligações para: - Itanhaen, Xiririca, Jacupiranga, Iguape, Cananéa e outros povoados de Ribeira e do Juquiá;

 

Finalmente, porque, sendo o traçado mais curto, por ella serão feitas as communicações directas daquella parte do nosso litoral, com o interior e com a Capital do Estado.São Paulo, 12 de outubro de 1923.

 

CELESTINO AMÉRICO

 

Laureano da Silveira Baldy

 

Prefeito Municipal de Piedade

 

PARECER DA COMISSÃO ESTADUAL DE ESTRADAS DE RODAGEM SÕBRE O MEMORIAL DO SR.CELESTINO AMERICO.

 

Tomando em consideração a pequena kilometragem e a relativa facilidade de construcção de uma estrada de rodagem de piedade a estação de juquiá (município de Iguape);

 

Tomando em consideração os grandes benefícios que desta advirão para o Estado em consequência do aproveitamento de uma região ubérrima, mas hoje quasi despovoada;Tomando em consideração a exiguidade dos recursos orçamentários das Camaras interessadas;

 

Sou de parecer que a Commissão de Estudos;

 

Approve a conclusão do autor apenas com uma retricção reletiva ao trecho de Sorocaba a Piedade por já existir uma estrada e por pertencer o tal trecho ao plano de viação da Directoria de Obras públicas da Secretaria da Agricultura;

 

Approve para a publicidade o memorial do Sr.Celestrino Américo

 

Encaminhe o dito trabalho para a Commissão de Recursos deste Congresso afim de que ao Legislativo sejam levadas as solicitações da Câmara de Piedade,que constituem uma justa aspiração daquella localidade e dos povoados da Ribeira e do Juquiá.

 

Sala das sessões da Commissão de Estudos do 3 Congresso de Estradas de RodagemS.Paulo, l5 de Outubro de 1.923

 

Mario Pernambuco

 

INÍCIO DO POVOADO

Agora já estamos no dia 15 de julho de 1930, ocasião em que Celestino Américo, em companhia de Celso David do Valle, adentrou os sertões afim de contratar a medição de terras da família do Coronel João Rosa, de quem era parente, para vendê-las em glebas com a finalidade da agricultura.

 

Percorrendo as florestas, na tarde do mesmo dia, pararam em um ponto elevado entre dois braços de rios(Onças e Palmital), para discutir pormenores do contrato a ser assinado.

 

Após o acordo, Celestino Américo tirou da cinta o seu inseparável facão (instrumento indispensável nas caminhadas pelo mato), com ele cortou uma estaca, e fincando-a no chão disse ao seu companheiro: " Dr. Valle, aqui será a sede da futura povoação, isto porque daqui sairão as ramificações para os rios Verde, Corujas, Alecrim e Juquiá-Guaçú."

 

Esse local e o ponto de divisa do Hotel do Tutu com o terreno da Igreja Católica na rua Alcides David do Valle..

 

Retornaram a Piedade,onde foi firmado o contrato destinado a concretizar os desejos da família Rosa,contrato esse que se acha registrado no Livro 23 folhas 31 a 47 do segundo Tabelião de Notas daquela cidade e que em suas cláusulas 34 e 35 respectivamente estabelecem o seguinte:Cláusula 34

os proprietários reservarão dez hectares do terreno para fundação e patrimônio de uma povoação na bacia do Ribeirão das Onças, e mais uma cachoeira do braço da esquerda do dito ribeirão para o futuro abastecimento de água a essa povoação do patrimônio o engenheiro levantará uma planta bem detalhada dividindo-o em lotes de dez por quarenta metros com estacamento número a óleo deixando uma área central para um largo e construção de uma igreja. Esses lotes do patrimônio serão pelos proprietários doados gratuitamente aos interessados que se comprometerem neles a construir casa nos dois primeiros anos a contar da data desta escritura depois deste prazo os lotes serão vendidos e o produto será reservado para o fim de fazer a instalação de água;o engenheiro no contrato de venda que fizer das terras nas duas margens da citada cachôeirinha reservará a servidão da mesma para o abastecimento acima aludido.

 

Cláusula 35

A nova povoação se denominará ´"Paranapiacaba" em virtude de ficar localizada em um taboleiro entre os contrafortes da '" cordilheira marítima ".

 

Em setembro de 1.930 o Dr.Celso construiu o primeiro rancho de pau a pique no Patrimônio do Paranapiacaba no local onde está erguida hoje a igreja católica

 

Apesar da precariedade dos caminhos de então no dia 13 de janeiro de 1.931 o Dr.Celso chegava com um veículo " Cadillac" lotado de mercador ias até a sede do Patrimônio.

 

Em 10 de novembro de l.932 reuniram-se os engenheiros Celso David do Valle, José Kenitz Moreira Lima, Royal Maravalhas e Valdomiro Valle, formando uma sociedade comercial com a denominação "Moreira eCia Ltda". para locarem a estrada de Piedade a Juquiá, com o capitalde CR$ 10.000.00(Dez Mil Cruzeiros) assim como também um longo trecho faltante de Piedade ao Patrimônio do Paranapiacaba.

 

Em 1.934 iniciou-se a colonização com a formação da "Companhia Agrária Paulista" sendo aberto cêrca de Setenta quilometros de estradas vicinais,entre elas as que servem aos atuais bairros do Rio Verde Travessão Juquiázinho e Colônia do Chá (antigo Nagasaki)

 

 

 

1935 - O PRIMEIRO COMÉRCIO E A CHEGADA DOS JAPONESES

Nesse ano surgiram as duas primeiras casas comerciais no Patrimônio do Paranapiacaba de propriedade dos senhores Joaquim dos Reis Delgado e em seguida do Senhor Seigo Hirata.Nesse ano chegou um grupo de famílias japonesas, que foram Kanta Kubota, Kenichi Matsumura, Sadaji Sato, Seigo Hirata e Tiba.

 

A intenção dos nipônicos era desbravar os sertões para propiciar o plantio der lavouras pois viam nessa imensidão de terras a realização de seus sonhos de agricultores sonho esse que os haviam trazidos do outro lado do mundo.

 

Mas após inúmeras tentativas não conseguiam atingir a sua meta pois não conseguiam efetuar a limpeza das terras pois era impossível queimar as matas que eram derrubadas pela falta de sol uma vez que chovia quase todos os dias.

 

No meio deles, havia uma pessoa que havia feito carvão vegetal através de fornos feito em buracos no barranco e coberto com terra batida, onde morava em Hokaido no Japão, e assim inauguraram uma nova tividade em pleno sertão e com isso puderam limpar as terras para o plantio.

 

Com o tempo essa atividade passou a ser explorada pelos moradores antigos do local que viam no imediatismo desse lavor mais vantagens do que esperar tanto tempo pela colheita e assim passaram os japoneses a usar para o plantio as terras que eram desmatadas pelos colonos locais.

 

Essa atividade perdura em parte ate hoje embora só com madeiras de reflorestamento de eucaliptos

 

Um grupo de cinco japoneses sendo as famílias Kubota, Matsumura, Sato, Hirata e Tiba (embora as duas ultimas não sejam estas existentes hoje no município), resolveram firmar um pacto entre si que deveria ser cumprido acima de qualquer circunstancias e elaboraram uma carta de intenções para fazerem deste recanto do Brasil uma "pátria" onde pudessem criar e instruir os seus filhos para poderem participar de uma vida social e comercial em igualdade com os brasileiros. ,e não deixarem este local por maior que ossem os sacrifícios encontrados.

 

Restam ainda duas dessas famílias no município, Matsumura e Kubota..

 

 

 

1938 - ELEVAÇÃO A CATEGORIA DE DISTRITO DE PAZ.

No dia 30 de novembro de 1.938 o engenheiro Celso David do Valle e o Coronel Moreira Lima encabeçaram um movimento e conseguiram elevar o patrimônio a categoria de Distrito de Paz com o nome de Santa Catarina através do Decreto Estadual 9.775.

 

No mesmo ano no dia 25 de novembro foi inaugurada com a presença do bispo diocesano de Sorocaba Dom José Carlos Aguirre a capela de Santa Catarina construída toda de madeira por um grupo de católicos ncabeçados pelo senhor Ambrósio Régis.

 

O primeiro Sub-Prefeito de Tapiraí foi o senhor Raul Leite de Magalhães e governou de 01.01.1939 até 03.01.1945.

 

1944 - MUDANÇA DO NOME PARA TAPIRAÍ.

No dia 30 de Novembro de 1.944,por imposição de Lei Federal que proibia o nome de Estado para municípios o nome de Santa Catarina nâo poderia permanecer

 

Os responsáveis pelo Distrito queriam lhe dar o nome de Itupararanga mas como havia controvérsias procuravam por um nome mais adequado até que Celso Valle que era amigo pessoal do Presidente GetúlioVargas pediu a ele uma opinião e após ser indagado qual o animal diferente que havia no Distrito foi informado ter por aqui uma grande quantidade de antas em vários rios existentes, ao que o Presidente Getúlio opinou está aí o nome ,Tapiraí ou seja "Rio da Anta".,e pelo Decreto -Lei de número 14.334 foi oficializado o nome TAPIRAÍ passando a vigorar a partir de 01de Janeiro de 1.945

 

1954 - INÍCIO DA CAMPANHA PRÓ-EMANCIPAÇÃO

No dia 29 de Março de 1.954 na ocasião em que foi inaugurada a igreja de Santa Catarina um grupo de cidadãos Tapiraienses reuniram-se para iniciar uma campanha pró emancipação do Distrito, que pertencia ao município de Piedade.

 

Encabeçados por Ambrósio Régis a comissão teve a partioipação dos senhores; José de Moura Glásser, Kameki Sato, Armando Simões Grazina, Benedito Messias, Shizuma Aoki, Abílio Simões, Antônio Vitorinodo Santos, Júlio Alberto Macieira, Antônio Víctor de Oliveira, Lázaro Soares de Campos e Rikío Osawa.

 

Por terem escolhido como patrono dessa causa o Deputado Juvenal Lino de Mattos que era amigo de Piedade tiveram os sonhos de emancipação vindo por terra, assim prorrogando por mais quatro anos essa aspiração mais do que justa dos tapiraienses.

1958 - O PLEBISCITO DE EMANCIPAÇÃO

No dia 28 de Dezembro de 1.958,realizou-se o plebiscito pró-emancipação com a presença de 94 dos 103 eleitores inscritos tendo sido aprovado o mesmo por 93 a 01.

 

Tendo o deputado Leôncio Ferraz Júnior encampado

 

Tendo o deputado Leôncio Ferraz Júnior encampado a causa tapiraiense a Assembléia Legislativa do Estado dessa vês aprovou a criação do município o que foi oficializado pela lei 5.285 de 19.02.59.

 

As divisas foram firmadas desmembrando Tapiraí de Piedade Juquiá e São Miguel Arcanjo. Fazendo ivisas também com Ibiúna, Miracatu, Sete Barras e Pilar do Sul. Numa extensão territorial de 812 quilômetros quadrados.

 

Autor: Prefeito Francisco Iise Filho

 

 





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